domingo, 17 de junho de 2012

Saindo da mata para a civilização




Hoje praticamente vivemos correndo, mesmo com todos os meios de transporte disponíveis estamos sempre atrasados, quando temos um compromisso inadiável temos que sair com bastante antecedência, mas bastante antecedência mesmo se quisermos honrar nossa palavra,  isto me fez lembrar da enorme  diferença do tempo eu que eu morava na Usina e praticamente o tempo engatinhava e com uma ressalva, o meio de transporte era raro e andar era o normal, quando terminei os estudos  lá na Escola da Usina, tive que ir para Moreno pois havia condições de continuar em algo mais elevado e assim fui estudar Admissão ao Ginásio com uma Professora que jamais esquecerei Dona Odila, um pouco idosa, creio que era pois para quem é jovem com onze anos, qualquer pessoa acima dos quarenta já é idosa, bem irei falar deste período depois, agora o momento é para tenta definir o que era aquilo que servia de transporte quando íamos para Moreno, na minha visão era um carro, mesmo sendo antigo era muito bom ver a paisagem se movimentando lá longe, digo ver por força de expressão mas na verdade não dava para ver nada, só um tiquinho, e olhe lá, pois o aperto dentro do carro era inenarrável, não podíamos reclamar nem fazer cara feia, era um favor que estava sendo prestando, (ou não?) bem se havia algum acordo financeiro, nunca fiquei sabendo o que eu sabia era que o carro era muito velho, e o motorista um rapaz chamado Nido, com uns dentes enormes, os olhos fundos de olheiras não aparentava ser tão amigo assim, ou talvez por eu ser criança quem iria se importar com o que eu me importava, ora faça-me o favor, os adultos vivem numa esfera mais elevada, vamos para o carro, talvez fosse um karmanguia sei lá qualquer coisa, o interessante é que andava, fazia um barulho danado e era uma fumaceira que dava a impressão que ele ia explodir, explodir que nada, toda tarde ele saia resoluto, cumprindo seu  papel e nós ali, banho tomado, roupas impecáveis, ares de respeito a espera do grande momento de ir para a escola, principalmente no meu caso, meu irmão já estava acostumando, mas eu, era a primeira vez que estava saindo da mata para a civilização, digo assim pois das outras vezes que saia era para um Sete de setembro, alguma festa, médico e demorava para acontecer de novo, não importava as dificuldades de chegar naquele colégio, todo mundo fardado, tínhamos uma carteirinha onde se carimbava a presença, um rapaz fica na portaria sentado em uma cadeira diante de uma mesa onde recebia os alunos, quando entrávamos não deveríamos ficar zanzando no pátio , deveríamos ir imediatamente para a sala de aula, a minha fica no primeiro andar, a última do lado direito, para mim era o máximo, mas confesso que fiquei um pouco decepcionado com o seu aspecto, sendo uma escola da cidade, esperava algo melhor, bem melhor do que a minha anterior na Usina, e aquela era envelhecida, desbotada, com infiltração e as bancas? Pareciam ter saído do século anterior, mesmo assim era a minha escola, escola não Colégio, e foi ali que fui aprendendo a ser mais observador, também diante de tantas recomendações era impossível dar uma mancada, mas dava, parece que estava escrito na testa, matuto, mesmo que a minha aparência fosse uma das melhores, cá entre nós eu era lindão e fazia sucesso com as meninas, mas era bobo e não escapava das gozações dos outros garotos, prá falar a verdade eu era o único novo naquela sala, eu era precoce só tinha onze anos e estava estudando Admissão ao Ginásio, e os meus colegas de classe tinham mais idade, o Gordo, que vivia  rodeado de amigos, entre eles Hideraldo ou Dedé um intelectual o único menino de cabelos longos que eu conheci, Nelson um rapaz tímido, João que repartia o cabelo espichado, Rosa uma garota com mais ou menos 15 anos super educada e outros que foram se diluindo com o passar do tempo, esses que eu falei encontrei-os em situações diferentes vinte anos depois, mesmos os reencontrado-os gosto de preservá-los adolescentes nas minhas reminiscências, pois de uma forma ou de outra foram importantes na formação da minha personalidades, por isso me esmerava em ir para  Moreno estudar, era uma oportunidade e tanto, poucos conseguiam e nós não podíamos desperdiçar os esforços dos nossos pais , estudo era sagrado, saímos mais ou menos ás 16h30min. e retornávamos tarde da noite, não me lembro como, nem com quem e não sei precisar se todo dia íamos naquela fubica, só sei que por mínimo que fossem aqueles momentos eles eram  enormes para o meu universo.

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